Os vultos de todas as mulheres que fui cultuam e dançam no escuro do meu quarto

Encarnam em meu corpo, meu sombrio fardo 

Sussurram e conspiram contra meu mais recente retrato,

e desarmam-me no mais astuto ato 

Uma na cama, outra no telhado;

Mais uma na penteadeira, outra me olhando atravessado;

e não trato de expulsa-las do meu canto mais sagrado.

Menina loucura fala de revolução; moça ternura canta sobre afagos 

Mulher Bravura descansou na mansidão, eterna amargura de quem da desilusão é filho bastardo

Nunca se vão, nunca me deixam

Deleitam-se sempre na minha aflição

Uma poeta já disse que orgulhosas estão, mas e essa dúvida no meu peito, no coração? 

Me larguem a mão, sou feita de chama, sou furacão

Meu fogo aquece, se queima só quem quer

Me deixem ser frevo-mulher

E Em mim tenham fé

Que as farei felizes por um dia terem calçado meus sapatos

Por terem dado o primeiro passo,

seja ferrolho ou tesoura, Brilharei em glória;

Pois já é hora

Frevarei o agora.

Alana Marroquim Jun. 2017

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