Eu sempre achei que a água da chuva fosse santa

E não aquela que o padre derrama

não aquela que benta se chama

Mas aquela que banha, tudo e todos,

sem preferência, sem dependência,

a ausência do sol numa crença

fala muito sobre o crente

e a semente na terra que a chuva rega

roga mais amor que muita língua

e limpa mais a alma, o cheiro da terra molhada

do que certas rezas, as rédeas, o castigo de eva

Mas será por pensar assim

que Deus me deu um fim

me derreteu a cera da asas

meu pecado me jogou na fornalha

fez me virarem a cara

e nada virou meu para sempre

e sempre ranjo os dentes

quando do divino me vens falar

que devo me calar

mas dói, dói muito pai

dói ter que me modificar

e esperar

esperar

esperar

orgulho me mata pela boca

e a chuva inunda, imunda, me desnuda

fecunda

em mim

um desejo de florir-me em um girassol

e ainda só

me pergunto se arderá menos

o fogo do meu anseio

do beijo

ou teu dedo, me apontará

e virão a me pelejar

por depois da chuva

ter vindo num arco íris

sem me reprimir

te sorrir

colorido e livre-de todo mal

Amém.

Amem.

Amei.

 

 

Alana Marroquim, Abr. 2017

 

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